terça-feira, 26 de maio de 2009

Segunda Experiência



Chamando uma das três pessoas presentes e fazendo-a ficar de costas
para as restantes, diga que olhe de novo em seus olhos e não desvie o olhar.
Estenda, agora, suas mãos para ela, com as palmas para o ar e diga que as
aperte com bastante força, tanta força quanto for possível. Ao mesmo tempo,
curve sua cabeça um pouco para frente até que fique a uns 15 centímetros da
dela.
Prova da junção das mãos – Olhe-a, então, silenciosamente durante
dez segundos e diga, muito positiva e vagarosamente. – “Não pode desunir
nossas mãos, Não pode tira-las das minhas. Estão ligadas as minha e não
pode mexe-las. Perceberá que os músculos estão ligados. Ainda que faça
força para afasta-las, não conseguirá”. A influência que exerce o seu olhar,
que se dirige em cheio para ela, veda à sua razão o pleno domínio das suas
faculdades, e verificará que sua mente só aceita a idéia de que nele penetrou,
isto é; as suas mãos estão, com efeito, ligadas e não lhe é possível move-las.
Resistência e seu efeito – Vai se produzir nele imediatamente, uma
resistência a sugestão, a qual se traduzirá em um esforça da sua parte,
tendente a desligar os olhos dos seus. Se ele consegue, dizei com vivacidade:
“Muito bem, pode agora retira-las, estão frouxos os músculos”. Ele pode se
julgar um pouco tolo e dizer: “Eu podia retira-las a qualquer momento se
tivesse experimentado”, você deve aquiescer ao que ele diz, assegurandolhe,
que por causa da muita atenção que ele prestava às suas palavras, não
lhe era possível desunir as mãos.
Reforço da Impressão – A fim de impressiona-lo bastante e, ao mesmo
tempo, mostrar aos outros participantes que não existe nenhum truque na
produção deste efeito, repita sua experiência com ele, dizendo: “Vamos
tentar mais uma vez, e vai reconhecer que quanto mais atenção liga as
minhas mãos, tanto menos possível será dominar a suas mãos, até que eu
diga que o faça.” Repita, então, a experiência e verá que toda sua atenção
estará ao seu dispor, durante cinco ou seis segundos, no correr dos quais seu
rosto ficará vermelho pelo esforço feito para largar sua mão. Diga, então:
“Muito bem, perfeitamente calmo e a vontade, agora”, e quando ele as deixa
ir, se os seus olhos ficam fixos no vosso, bata palmas, ponha vossa mão
sobre sua fronte, e diga: - “Muito bem, desperte completamente”.
Exercite até a perfeição – Cabe insistir sobre a importância que há de
realizar as experiências de maneira perfeita. Não vá com pressa pulando de
uma parte para outra. Pode não conseguir bons resultados em sete ou oito
casos sobre doze, mas isto vem de que os pacientes não adquiriram o poder
de concentração. Se seguir os nossos conselhos, a falta não é vossa e
achareis sempre pelo menos três ou quatro pacientes sobre doze, que são
capazes de ser influenciados, porque a sua natureza é dada à obediência das
ordens dos outros.

Experiencias Hipnoticas primeira experiencia




Primeira Experiência:
Ainda que, relativamente a esta experiência, a minha opinião é que
conviria agir sobre um certo número de pessoas reunidas, o que permitiria
ter-se maior probabilidade de se obter bons pacientes, fica subentendido que,
no caso em que o operador não alcance bom êxito em diversas pessoas ao
mesmo tempo, quer por impossibilidade, quer por embaraço, pode fazer a
experiência com um si indivíduo.
Provocação do afrouxamento muscular – Reúna um certo número de
jovens de ambos os sexos, da idade de quinze a vinte anos, fazendo-os se
sentarem em cadeiras confortáveis, em semicírculo, a sua frente, tendo o
cuidado de recomendar que não devem fazer nenhuma brincadeira, nem
ainda a mais leve, no correr da sessão. E faço um pequeno discurso como
este, por exemplo:
- “Viemos aqui, esta noite, para fazer algumas experiências sobre os
fenômenos psíquicos, e espero dos senhores que me dirijam toda atenção e
inteira cooperação no desenvolvimento dos trabalhos, sejam quais forem,
que vamos fazer. Vai ser muito difícil sair-me bem, se não tiver captado toda
a sua atenção e, se quiserem resistir de maneira absoluta a minha influência,
vai ser impossível o bom êxito da experiência. Assim peço que por alguns
momentos, permaneçam totalmente passivos prontos para acatar minhas
palavras, a fim de que possa produzir sobre seus cérebros a impressão
necessária para chegar a um resultado efetivo. Antes de começar as
experiências, peço com todo meu empenho que fiquem em um estado de
completo afrouxamento muscular, porque é a primeira coisa a fazer para
conseguir-se um afrouxamento mental perfeito.”
Como Sentar-se – “Sentem-se por favor, a vontade em suas cadeiras,
de maneira que seus pés se fixem em toda a largura sobre o solo; ponham as
mãos sobre os joelhos e, quando eu disser: Direita, esquerda – levantem
primeiro a mão direita, depois a esquerda, e deixem cair ambas sobre os
joelhos, brandas e inteiramente inertes. Recomendo que façam umas dez
vezes este exercício em cada uma das mãos”.
Em tal momento você está sentado em uma cadeira em frente ao
círculo de discípulos e levantando a mão direita cerca de trinta centímetros
do joelho, dizendo:
-Direita.
Efeito do Sinal – A esse sinal, assegure-se que todos os pacientes
ergam a mão direita, imitando você e mantendo no ar durante dois ou três
segundos; no momento em que dizer: Esquerda – deixe cair o braço e a mão
direita molemente e sem força sobre o joelho e levante ao mesmo tempo a
mão esquerda. Procedendo da mesma forma com esta mão, quando repetir:
Direita – as mãos esquerdas cairão pesadas e mortas sobre os joelhos. Os
discípulos começarão a compreender que a idéia de passividade que suas
palavras lhe sugeriram, está agindo sobre seus músculos de modo que se
produza um repouso físico completo; a idéia que ressalta desta experiência
é, portanto, toda de afrouxamento muscular. Depois de repetir isto cinco ou
seis vezes, levante-se de sua cadeira e diga, passando na frente de cada
membro do semicírculo: “Seja completo o afrouxamento”, levantando, no
mesmo instante, a mão direita, depois a esquerda e deixando-a recair, seguro
de que eles estão inertes; no caso afirmativo, conseguiu-se um afrouxamento
muscular.
Novos conselhos – Diga agora: “Como vocês estão se sentindo
totalmente a vontade e sem nenhuma fadiga, vou pegar cada um
separadamente, para a primeira experiência importante. Não quero
absolutamente de cochichem ou conversem uns com os outros. Prestem
particular atenção à idéia que minhas palavras vão transmitir as suas mentes.
E fiquem seguros disso. Entendam que a tendência da mente é desenvolver o
pensamento sugerido. Sintam-se seguros que estão fazendo o que vos digo,
que estão sentindo o que vos digo que sintais, e obteremos fenômenos
interessantes”.
Como dirigir a primeira experiência – Escolha entre os participantes a
pessoa que lhe pareça melhor, a mais apta para sentir sua influência e,
fazendo-a ficar de pé, com as costas voltadas para o círculo, diga que olhe
nos seus olhos e fixe, ao mesmo tempo, olhe os dela na base de seu nariz,
olhando-a justamente entre ambos os olhos e não deixando jamais arredar
deste ponto o seu olhar, ainda mesmo um instante. Fale e, nestas
experiências, por exemplo, fale sempre com calma, em tom positivo, e sem
levantar a voz, como se tivesse o hábito de ser obedecido e como se pensasse
que ela deve obedecer. É bom, ao mesmo tempo, para dar mais força a
influência que tens sobre ela, repetir a você mesmo: “Deves fazer
exatamente o que digo”. Diga isto a si mesmo, e repita continuamente esta
afirmação durante suas experiências.
Como fortificar a confiança que depositou em você mesmo – Isto terá
como resultado a fortificação da confiança que tens em você mesmo, e dar
aos seus olhos aquele olhar de decisão e de força que influenciará
poderosamente as pessoas que o rodeiam. Levante, agora, as mãos, e ponha
muito de leve sobre a cabeça do paciente, justamente por cima das orelhas, a
fim de não lhes causar nenhuma sensação desagradável, pela pressão delas
no rosto. Olhe bem entre os dois olhos, deixando suas mão nesta posição
durante uns dez segundos. Então, recuando um passo com o pé esquerdo,
retire devagar e lentamente as mãos, pondo-as a uma pequena distância de
cada lado de sua cabeça e, ao mesmo tempo, curve seu corpo um pouco para
trás; as suas mãos virão reunir-se em frente a sua fronte; desuna-as, então,
com um movimento vagaroso e, curvando-se de novo para frente, descanse
as mão, vagarosamente, na mesma posição inicial. Faça isto três vezes antes
de falar.
O que importa dizer na prova da queda para frente – Depois da
terceira vez, diga muito lentamente, de maneira que o impressione,
mantendo sempre seu olhar fixo na base do seu nariz e tendo o cuidado que
ele não desvie seus olhos nem por um segundo: -“Está na presença de um
impulso atrativo que vai te fazer cair para frente. Não resista; eu vou te
segurar, deixe ir... está caindo para frente. Não pode se opor a isto, está
caindo para frente... deixe ir, assim”. Nesse momento, o paciente, mantendo
sempre os olhos fixos nos seus, se inclinará para frente e trate naturalmente
de ampará-lo para que não se machuque.
Cuide para que o paciente não se machuque – Em todas essas
experiências, tome todo o cuidado de não deixar cair um paciente, porque,
do contrário, destruirá no mesmo instante toda a confiança que ele depositou
em você, e é precisamente sobre esta confiança que está depositada toda a
influência que tem sobre ele. Depois de apanha-lo, diga: “Tudo vai bem, está
perfeitamente acordado”. Mande-o sentar e não permita nenhuma discussão
entre os membros do círculo. Deve proceder da mesma forma com cada
indivíduo, separada e individualmente, por duas razões: a primeira é que
pode determinar entre os assistentes aquele que é mais fácil de influenciar, e
a segunda, que prepara, assim, os diferentes participantes para as
experiências que vão se seguir. Não deixe estas tentativas até que se torne
mestre nelas e de estar apto para provocar essa queda para frente, em cada
paciente que exercer sua influência.
Como fazer face à oposição e ao ceptismo – No caso de se deparar
com pacientes que sejam teimosos ou que manifestem tendência a discussão,
deve dizer-lhes: - “Se quiser, podes, sem dúvida, ter resistido a essa
influência atrativa, mas eu já disse que deve permanecer perfeitamente
passivo e não posso obter bom êxito nestas experiências com você, se as
discuti comigo ou com você mesmo. Tudo o que peço é o auxílio de sua
imaginação e obediência cega. Não desejo que analise mesmo suas
sensações. Quero sua atenção totalmente absorvida por minhas palavras”.
Isto será suficiente para mostrar ao paciente da índole argumentativa que não
faz o menor caso da sua opinião e achareis que algumas palavras nesse
sentido bastarão amplamente para ter seus assistentes completamente
dispostos à simples obediência.
A experiência realizada em sentido contrário – Faça, agora, a
experiência no sentido oposto, escolhendo entre os assistentes aquele que
acha mais apto para conseguir um melhor resultado na queda para frente.
Chame-os uns depois dos outros, colocando-os com a cabeça voltada para a
parede e apresentando as costas para o círculo. Conserve-os por detrás do
primeiro, com as costas voltadas para os circundantes e, colocando
levemente o indicador da mão direita na base do cérebro, justamente acima
do pescoço, ponha sua mão esquerda contra o lado da cabeça, por cima do
ouvido, de forma que os dedos se achem assentes sobre sua têmpora
esquerda.
Prova da queda para trás – Diga, agora, que feche os olhos, e retire
vagarosa e gradualmente sua mão, até que fique totalmente destacada da
cabeça dele e, enquanto vai diminuindo por graus a pressão que sua mão
direita está exercendo e, afim de que ele mal possa senti-la, vá falando:
“Está, agora, sentindo-se atraído para trás, graças a minha influência. Caia
para trás, nos meus braços. Deixe ir, logo que perceba que a ação se torna
mais forte. Está caindo para trás.” Enquanto vai dizendo isto vagarosamente,
fazendo uma pausa, de palavra em palavra repita lentamente a atração para
trás, com a mão esquerda sobre sua cabeça. Às vezes, logo, mas sempre
depois que a fórmula for repetida diversas vezes, o paciente se inclinará
sobre os calcanhares e cairá, saindo da perpendicular. Desde de que chegue a
estar penso para trás uns trinta centímetros, deve ampara-lo e dizer: “Muito
bem, acorde”. Deve repetir a experiência, dizendo: “Está bem”, mas desta
vez importa ir um pouco mais longe, reproduzindo o mesmo processo e
dizendo: “Está caindo para trás e não pode evitar. Caia direitinho em meus
braços. Caí agora!” Nesse momento,achando-se na condição mental de um
executante que aprendeu a lição, cairá inteiramente nos seus braços, dando a
você maior confiança. Fazendo-o voltar a posição perpendicular, diga:
“Ótimo! Agora acorda”.
Bata palmas, como um sinal – Ao mesmo tempo, bata palmas, porque,
mais tarde, será bom que o paciente fique sabendo que o barulho das mãos
indica o fim da experiência. Aqui termina esta, no estado de vigília e tendes
agora um guia nas duas ou três pessoas mais facilmente influenciadas dentre
os circunstantes.

Curso de Hipnose



INTRODUÇÃO
É de extrema importância que o discípulo preste particular atenção à
essência da presente introdução, porque ela versa não somente sobre a
filosofia de fenômenos, cuja explicação será dada no corpo do manual, senão
também sobre uma série de experiências a realizarem-se no estado de vigília,
que lhe permite adquirir gradualmente, e por fases suaves, aquele domínio e
aquela confiança em si próprio, sem os quais lhe será impossível ser bem
sucedido na vida ou tornar-se um hipnotizador de sucesso.
Valor do desenvolvimento da Força de Vontade – A qualidade mais
admirável que o ser humano pode adquirir é a de impor a sua vontade aos
outros; essa qualidade que denominamos força de vontade, magnetismo, etc.,
firma suas raízes na confiança em si mesmo, que um estudo desta série de
lições pode desenvolver até nos indivíduos mais tímidos e arredios. Para
Fazer me entender mais claramente, digo que a modéstia e a timidez, esses
dois obstáculos à fortuna, seja qual for o nome que se dê, desaparecerão por
completo no caráter daquele que seguir com cuidado as instruções que se
ministram nesta série de lições.
É necessário fazer experiência constantemente – Ao discípulo não basta,
porém, só a leitura deste curso, e nem ainda deve ele pô-la à parte, dizendo a
si mesmo que já sabe o suficiente para, de futuro, poder fazer algumas
pequenas experiências, quando se lhe apresentar a ocasião. É absolutamente
essencial que aproveite cada oportunidade que se lhe depare, a fim de
realizar cotidianamente uma ou mais experiências deste gênero. Aviso
também que deve tornar-se perito em cada experiência antes de passar as
outras.
O objeto destas experiências – Para esse fim, apresento aqui uma série de
seis experiências Graduadas, cujo objetivo é desenvolver no operador aquela
ponderação no caráter, à qual denominamos confiança em si mesmo, e
mostrar-lhe, ao mesmo tempo, a base das leis pelas quais o hipnotismo se
tornou um fato científico. A primeira coisa que o discípulo deve não
esquecer é o não haver necessidade de adormecer o paciente para conseguir
nele a produção de fenômenos do hipnotismo nas suas primeiras fases.

Como evitar o fracasso – Muito naturalmente, o principiante tem receio,
antes de tudo, do fracasso, e do ridículo que pode ocorrer; mas, como acabo
de dizer, pode, desde o começo, previnir-se contra estes dois inconvenientes.
Em primeiro lugar: - omitindo com cuidado a palavra “hipnotismo” e
arredando a idéia de que tais experiências são de caráter hipnótico. Pode
chamar, se quiser, de experiências curiosas sobre as atrações magnéticas ou
nervosas, ou técnicas de relaxamento, afastando o fato real.
Em segundo lugar: - explicando com muito cuidado este fato tão
evidente, que o bom resultado da experiência depende inteiramente da força
do poder da vontade e da concentração exercida pelo paciente. O operador é
um simples guia; se o paciente dispõe de força de vontade para repelir com
energia e afastar de sua mente todos os outros pensamentos, é seguro o bom
êxito. Depois de explicar isto aos pacientes e mostrar claramente que o
interesse e o valor das experiências se assentam inteiramente sobre a
inteligência determinada da cooperação deles.
Se bem explicado estes fatos, evita-se o ridículo, preparando-se para o
bom resultado.
Experiência no estado de Vigília. – As experiências seguintes têm por fim
demonstrar que uma pessoa pode exercer um império sobre outra pessoa,
quando esta está de plena posse das suas faculdades despertas: